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Poli Pieratti

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Penso que o tempo da pintura é um outro tempo, um tempo que me permitiu pensar mais sobre meus trabalhos, sobre meus percursos. A pintura me auxiliou muito a cartografar o que eu já havia visto. O ritmo da pintura me permitiu reunir planos e narrativas, me permitiu acessar - com calma - as pinceladas e também as palavras.

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Minhas experimentações pictóricas vêm da mesma sensação desnorteada de Brasília - pinto em vertigem, quando pinto perco a bússola. Coloco as telas deitadas sobre o chão e preparo um pigmento extremamente diluído. Descalça, sobre a tela, uso as mãos para espalhar a aquática cor. Os dez dedos tateiam o plano amplo - maior do que o corpo.

O desejo da mão organiza o corpo ao organizar o plano. Pinto, pois a pintura me deixa bamba e me reestabelece - quase ao mesmo tempo. Pinto pelo tempo plástico da pintura, fraturado e dilatado. Pinto pelo ritmo que a tela impõe. A pintura me ensina sobre a resistência, sobre a matéria, sobre o moldável, sobre os apoios do gesto e sobre a orientação.

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São Paulo, Brasil

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